Gerenciamento de Projetos no Setor Público

A resistência em se adotar novas práticas, aliado ao desconhecimento, pois por muito tempo as técnicas consideradas eficientes da administração eram restritas a iniciativa privada, colocou o setor público como ineficiente e incapaz de solucionar os diversos problemas sociais que se agravam ao longo do tempo.

Se funciona na iniciativa privada, por que não adaptar ao público? Sempre digo aos meus alunos que para que o projeto dê errado, eles não precisam fazer nada, ele vai dar errado sozinho. As decisões que tomamos são para mantermos a nossa linha de base com menor desvio possível em relação a execução do projeto. É claro que só implantar uma metodologia com diversos processos e formulários não irá ajudar muito, o que precisamos é acreditar que o serviço público é competente o bastante para trabalhar de forma eficiente com os recursos, que estão cada vez mais escassos.

Projetos no setor público sofrem grande pressão política e trabalham com o tempo político. Os prazos e entregas são estabelecidos muitas vezes por mandatos e definidos de forma arbitrária, sem considerar o esforço real necessário para concluir o projeto ou a fase.

A falta de opinião especializada, e a dificuldade de informações disponíveis para a tomada de decisão são fatores que também agravam os prazos e atrasam as intervenções. As decisões nem sempre são satisfatórias e perduram por determinado tempo, raras às vezes que as decisões são as melhores e mais corretas. Para Simon*, é impossível que conheçamos todas as alternativas possíveis sob determinado projeto e também não sabemos todas as consequências inerentes às decisões, nos contentamos apenas em conhecer o essencial para a tomada de decisão.

No último levantamento realizado pelo G1, sobre as principais obras do PAC, publicado em 06 de junho de 2013, o atraso médio das intervenções é de 48 meses. Por exemplo, uma obra que começou em 2007 deveria ter sido concluída em 2010, foi repactuada para 2014 e no último relatório será em 2016. O principal fator é a falta de planejamento e principalmente a falta de previsão adequada de problemas futuros que certamente vão surgir.

Implantar a tecnologia do gerenciamento de projetos no setor público não é tarefa simples. E faço questão de dizer que a metodologia de gerenciamento, se comparado aos métodos atuais é uma tecnologia avançadíssima. Adotar uma prática eficiente, frente aos cenários de reivindicações que vimos nos últimos meses e sinônimo de sobrevivência.

Tomar uma decisão, ou seja, adequar os meios aos fins, e a principal tarefa da administração pública. Seja para implantar novos métodos, adaptar antigos, ou simplesmente prever o que pode dar errado, para aí sim, com o efetivo planejamento, reinserir o projeto ao rumo certo.

* SIMON H.A, Administrative Behaviour, 1965.

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